Veja as 10 ações mais indicadas para comprar em agosto

 Em um mês marcado pela temporada de balanços do segundo trimestre e por uma expectativa de inflação um pouco menor devido às ações do governo e autoridade monetária para frear a alta de preços, empresas do setor financeiro e produtoras de commodities seguem sendo a bola da vez.

 

A mineradora Vale continua isolada na liderança das indicações, apontada por 10 casas. Além dela, Petrobras e Petro Rio também continuam na lista representando as produtoras de matérias-primas, apontadas por seis e três casas, respectivamente. A novidade, no entanto, é a produtora de aço Gerdau, indicada cinco vezes. Por outro lado, o setor contava no mês passado com a participação das fabricantes de papel e celulose Suzano e Klabin, que deixaram a seleção em agosto.

O setor financeiro também continua forte, com Itaú e Banco do Brasil voltando a aparecer, indicados seis e cinco vezes, respectivamente. Já o BB Seguridade deixou a seleção, mas deu lugar ao Bradesco, que foi apontado por três corretoras.

Outras novidades na seleção deste mês foram a rede de hospitais Rede D'Or e a varejista Lojas Renner, indicadas três vezes cada um.

Quem também recebeu três indicações foi a empresa de energia Equatorial, que se manteve na seleção na passagem de julho para agosto.


Entenda a Carteira Valor


A Carteira Valor reúne as 10 ações mais indicadas pelas corretoras participantes. Ao todo, são 20 casas que escolhem, mensalmente, cinco papéis que elas acreditam que vão se valorizar no mês.

O ano de 2022 trouxe duas novidades entre as participantes: a Toro Investimentos e a Warren. Por outro lado, a Necton deixou a lista.

Atualmente, compõem a Carteira Valor: Ativa, Ágora, BB Investimentos, Banco Inter, CM Capital, Elite, Genial, Guide, Mirae, Modalmais, do Banco Modal, MyCap, Nova Futura, Órama, Planner, Safra, Santander, Terra, Toro, Warren e XP Investimentos.

As indicações de cada corretora e o desempenho dessas carteiras podem ser encontrados aqui.

 

Carteira Valor x Ibovespa


Em julho, a Carteira Valor teve subiu 6,27%. O Ibovespa, por sua vez, teve ganhos de 4,69%. No ano, até julho, a Carteira Valor subiu 0,77% e o Ibovespa registrou queda de 1,58%. Em 12 meses até julho, o principal índice da bolsa acumula queda de 17,91% enquanto a Carteira Valor perde 13,75%.

 

Vale ON (VALE3)


Regis Chinchila, analista da Terra, afirma que o cenário dos preços do minério de ferro deve seguir volátil, mas ainda assim, há uma expectativa para retomada para níveis históricos da demanda do aço à medida que a retomada econômica, especialmente na China, acontece. "Outro fator de longo prazo, é a guerra entre Rússia e Ucrânia, que deve gerar maior demanda por metais para reposição de armamento bélico. O minério de ferro é uma commodity que foi muito usada nas reconstruções de países afetados por guerras no passado", lembra. "A empresa continua apresentando resultados operacionais fortes, apesar das últimos revisões de produção", conclui.

Para Alexandre Marques Filho, da Elite Investimentos, a Vale deve continuar focada na sua política de retorno aos acionistas, mas sem deixar em segundo plano os investimentos em aumento na sua capacidade de produção, o que deve render bons resultados.

 

Itaú Unibanco PN (ITUB4)


Para os analistas da Ágora, o Itaú deve ser o banco que vai apresentar os melhores números na temporada de balanços do segundo trimestre. A casa aposta em um lucro líquido de R$ 7,5 bilhões, uma alta de 15% na variação anual, o que pode aumentar a demanda pelas ações da empresa e, assim, promover uma valorização dos papéis.

No caso da Nova Futura, que trocou os papéis de Bradesco pelos do Itaú, a aposta foi feita por acreditar que o segundo tem uma plataforma mais diversificada em termos de serviços financeiros. "Tal fato faz com que consideremos o Itaú como uma empresa com maior capacidade de suportar impactos adversos do cenário macroeconômico", afirma Matheus Jaconeli, analista da casa.

 

Petrobras PN (PETR4)


Segundo Ila Arbetman, analista da Ativa, além de registrar "excelentes resultados no segundo trimestre", a companhia anunciou a distribuição de R$ 87,8 bilhões em dividendos, montante superior às expectativas, o que pode contribuir para um aumento da demanda pelo papel.

"Acreditamos que uma fração deste movimento ainda não está no preço. Ademais, vemos os preços internacionais de petróleo sustentados nos próximos meses, possibilitando a companhia ao longo dos próximos meses a geração de caixa operacional observada ao longo do segundo trimestre", afirma.

 

Banco do Brasil ON (BBAS3)


O time de analistas da MyCap afirma que manteve as ações do Banco do Brasil em sua lista devido às expectativas de um resultado positivo no segundo trimestre. As perspectivas são sustentadas "pela manutenção de anúncio de novas linhas de créditos para pequenas e médias empresas, com destaque para atendimento ao setor de agronegócios, além do entendimento de elevação do credito consignado".

"A companhia deverá continuar se beneficiando com planos de auxílios a população e reajustes salariais e ela tem se provado resiliente mesmo em cenários desafiadores", afirma o time em nota. Segundo os analistas, as ações do banco são mais descontadas em relação ao que seria considerado justo do que os papéis de seus concorrentes. Como a empresa "continua em melhoria operacional", os analistas da MyCap afirmam que as ações "devem render elevados retornos aos acionistas".

 

Gerdau PN (GGBR4)


Para os analistas da Ágora, a empresa tem feito boas alocações de capital e deve apresentar bons resultados trimestrais, sendo o "destaque do setor na temporada". Os analistas destacaram as margens fortes da companhia em suas operações nos Estados Unidos e lembraram que os preços dos papéis estão mais baratos do que o que seria considerado justo. Assim, o potencial de valorização é alto.

Alexandre Marques Filho, da Elite, destacou o trabalho da empresa em diminuir sua dívida, o que deve se refletir em bons resultados nos próximos trimestres além de abrir possibilidade para que a empresa continue distribuindo dividendos atrativos, o que atrai mais investidores.

 

Bradesco ON (BBDC4)


Para Alexandre Marques Filho, analista da Elite Investimentos, o Bradesco tem um bom histórico de resiliência e apresenta bons resultados. O analista destaca que os chamados "bancões" têm se adaptado às novas tecnologias e formas de atendimento e, assim, conseguido manter sua rentabilidade.

"No caso do Bradesco, a tradicional postura conservadora de controle de despesas agora é aliada aos novos investimentos na área digital e na modernização do atendimento aos clientes pessoa física", diz. O analista ainda destacou o acordo feito pelo banco junto ao BNP Paribas para o segmento de Private Banking (que atende clientes com mais de R$ 5 milhões em investimentos), que pode melhorar ainda mais os resultados do banco.

 

Equatorial (EQTL3)


Para os analistas da MyCap, o fato de a empresa atuar em diferentes segmentos (tanto no setor de energia como nos de saneamento, telecomunicações e serviços), ela deve "se beneficiar mesmo em momentos de instabilidade".

"A empresa tem como principal estratégia a expansão da atuação nos segmentos de distribuição, transmissão e geração de energia, operando via diferentes subsidiárias, com aquisição do controle, este podendo ser compartilhado, no segmento elétrico com entrada em renováveis. Julgamos que seus serviços essenciais continuarão sendo demandados, mesmo em cenários de contração econômica", afirma o time em nota.

 

Lojas Renner (LREN3)


Segundo Gabriela Joubert, analista-chefe do Inter, a recomendação de Renner tem como motivação a divulgação dos resultados na primeira semana de agosto.

"Acreditamos que a companhia deve divulgar resultado robusto em vendas, confirmando a estratégia de precificação e sortimento", afirma a analista. Ela ainda destaca que o inverno mais rigoroso neste ano fez com que as pessoas demandassem mais roupas da estação, o que ajudou nas vendas e consequentemente nas receitas da companhia. "

 

Petro Rio ON (PRIO3)


Para Alexandre Marques Filho, da Elite, a empresa "segue demonstrando foco no operacional", com ganhos nos cortes de custo feitos na extração de petróleo e gás natural, o que tende a se refletir de forma positiva em seus balanços.

"A empresa atingiu em 2021 o menor custo de extração de petróleo e gás natural da sua história, de US$ 11,8 por barril. Esse valor foi 20% inferior ao custo registrado em igual período de 2020", destaca. Para ele, a empresa tem "uma grande avenida de crescimento pela frente", tanto devido à produção de novos poços como também nos antigos, que podem representar um aumento de 120% na produção atual da empresa.

 

Rede D'Or ON (RDOR3)


Para os analistas da Ágora, a Rede D'Or é uma boa aposta devido à sua resiliência em um cenário de desaceleração econômica. Segundo a casa, a perspectiva é de um impulso positivo nos lucros da companhia, que deve ter uma recuperação de margem ao longo deste ano e do ano que vem, especialmente devido a inicitivas de contenção de custos.

 

Fonte: ValorInveste | 03/08/2022