Em julho, número de novas vagas com carteira assinada encolhe 20%
Apesar de a taxa de desemprego estar nos menores níveis da história, a geração de vagas no mercado de trabalho formal está desacelerando. Em julho, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) registrou a criação de 129.775 postos com carteira assinada, dado 20% inferior ao dado ajustado de junho, de 162.388 novos cargos formais.
O saldo de novas vagas é resultado da diferença entre admissões, que somaram 2.251.440 em julho, e os desligamentos -- 2.121.665 --, conforme os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) da pasta, divulgados nesta quarta-feira (27/8).
O resultado ficou abaixo das estimativas do mercado, cujas apostas variavam entre 130 mil e 138 mil. Mas o fato de o saldo ser positivo confirma a resiliência da formalização, especialmente no setor de serviços, que é o que mais emprega no país, de acordo com especialistas.
Conforme os dados do Caged, o estoque de trabalhadores empregados com carteira assinada somou 48.544.64, em julho, novo recorde. No acumulado do ano, o total de admissões cresceu 5,1% em comparação aos sete primeiros meses de 2024, para 16.185.566, enquanto os desligamentos aumentaram 6,8% no mesmo período, somando 14.837.759. Com isso, o saldo total de vagas criadas no ano foi de 1.347.807, queda de 10,3% em relação ao volume de 1.503.467 novas vagas criadas em 2024 na mesma base de comparação.
Ao comentar a desaceleração na criação de vagas no mercado de trabalho, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, reconheceu que o ritmo de criação de vagas vem diminuindo desde abril, quando o saldo foi de 237.699. Ele culpou a política monetária do Banco Central, que sinalizou que deverá manter a taxa básica da economia (Selic) em 15% ao ano por um período “bastante prolongado”. Para ele, os juros elevados são um problema maior do que o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aplicado contra os produtos brasileiros desde o último dia 6.
“Como o ministro Fernando Haddad (da Fazenda), eu peço todo santo dia para o BC baixar os juros. Eu acho que esse é o principal problema, maior do que o tarifaço”, afirmou. “É evidente que nós estamos trabalhando com toda a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em alguns caminhos. Um caminho é abrir novos mercados”, acrescentou Marinho.
Tarifaço de Trump
O titular do MTE lembrou que o vice-presidente Geraldo Alckmin está no México com várias autoridades do governo e com 200 empresários, realizando conversas para estreitar os laços com os mexicanos. “Há dois anos e meio, abrimos mais de 400 mercados, 409 contabilizados no dia de ontem. Então, foi um trabalho bastante frutífero realizado pelos nossos ministros das várias áreas e de relações internacionais”, afirmou.
De acordo com ele, a pasta está aberta para dialogar com os setores que necessitarem de eventual necessidade de ajuste de mão de obra no mercado, por conta do tarifaço, a fim de negociar, por exemplo, postergar contribuição do Fundo de Garantia e da Previdência Social, de redução de jornada, de férias coletivas, de forma a socorrer as empresas afetadas pela medida dos EUA. Contudo, até o momento, não houve demanda. “Na verdade, nenhuma formalização ainda foi pedida ao Ministério do Trabalho e Emprego. Nós estamos abertos a receber manifestação somente de setores industriais, falando do problema, mas não de uma empresa específica, e tem que ser por empresa, acionar os dispositivos. Nenhum ainda fez contato nesse sentido”, afirmou.
O ministro lembrou que o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está autorizado a oferecer uma linha de crédito de R$ 30 bilhões “com juros menores” para socorrer setores afetados pelo tarifaço. “Eu vejo que, a partir do estudo do BNDES, o tamanho do impacto, se tudo desse errado, e não vai estar tudo errado, nós teríamos um impacto no máximo da ordem de 320 mil a 330 mil empregos diretoos e indiretos”, afirmou.
Dados regionais
Conforme os dados do Caged, em julho, 25 das 27 unidades federativas apresentaram aumento na criação de vagas. São Paulo manteve a liderança, respondendo por 42.798 nos postos gerados, seguido por Mato Grosso (+9.540) e Bahia (+9.436). Já os estados do Espírito Santo e Tocantins registraram o fechamento de postos de trabalho formais em julho.
No acumulado do ano, 26 estados apresentaram saldo positivo e apenas Alagoas em queda, de 1,22%. São Paulo liderou a geração de vagas em números absolutos 390.619, aumento de 2,73%, seguido por Minas Gerais, com 152.005 novas vagas e Paraná, com 102.309.
O segmento que mais gerou emprego foi o de serviços, responsável por 688.511 vagas (+2,99%), com destaque para as áreas de informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+265.093). Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde e serviços sociais foram responsáveis por 240.070 vagas no ano.
Fonte: correiobraziliense