O impacto positivo da flexibilização nas relações de trabalho

Apesar de opiniões polêmicas como a de Elon Musk, que no início de junho decidiu resgatar o trabalho presencial para todos os funcionários da Tesla, segundo agências de notícias, inúmeros estudos indicam que a flexibilidade é um diferencial entre manter e perder colaboradores. Em pesquisa recente realizada e divulgada pelo Linkedin, com 1.160 participantes, 78% dos entrevistados responderam que é necessário uma alternativa ao modelo tradicional – mais rígido em relação a horários e escritório físico.

Muitas empresas podem alegar que a flexibilidade no ambiente empresarial pode ocasionar falta de controle nos fluxos e esconder um possível desinteresse por parte do colaborador na execução das atividades do dia a dia. Entretanto, é importante observar atentamente as diversas pesquisas realizadas no futuro do trabalho que indicam justamente o contrário.

A pesquisa do Linkedin indica que os entrevistados buscam vagas que sejam híbridas ou remotas por diversos motivos, como ajuste entre a vida privada e a profissional, produtividade e melhora da saúde mental. Outros motivos elencados foram prosperidade, rápido desenvolvimento na carreira e entendimento de que a empresa tem confiança nas tarefas realizadas. Além disso, 40% dos entrevistados demonstraram vontade de largar seus empregos por falta de flexibilidade e quase 30% os deixaram efetivamente.

Outro ponto levantado pela pesquisa foi a vontade de os entrevistados realizarem pausas na carreira profissional – cerca de 79% concordaram com essa afirmação. Dentre as justificativas, estão viagens (44%), requalificação profissional (34%), descanso (34%), empreender (33%) e filhos (22%).

 

Novo cenário pós-pandemia

O trabalho híbrido e remoto já eram tendências mesmo antes do início da pandemia de Covid-19. Empresas de diversos segmentos, principalmente da área de tecnologia, já indicavam a necessidade de unir times que, cada vez mais, tornaram-se globais.

Em 2019, a International Workplace Group (IWG) realizou um levantamento que indicava que 83% dos entrevistados apontavam que a flexibilidade era um motivo determinante para aceitar uma proposta. Essa pesquisa foi realizada com mais de 15 mil pessoas em diversos países, inclusive o Brasil. Entretanto, o processo de implementação de novas formas de trabalho foi acelerado com a pandemia. Com a impossibilidade de reunir equipes inteiras nos escritórios devido ao distanciamento social, as empresas se viram obrigadas a rever modelos e processos.

Ao contrário do que se poderia imaginar, a maior liberdade traz vantagens para todos os envolvidos. As empresas podem direcionar sua energia para soluções integradas em nuvem, que agregam a possibilidade de acesso em qualquer lugar e horário, além de investir o valor na formação do colaborador e na retenção de seus talentos.

Do ponto de vista do funcionário, estar mais perto dos familiares, gerenciar a casa e otimizar o tempo são fatores são de suma importância. Em pesquisa divulgada pela Ranstad, em 2021, 92% dos entrevistados afirmaram que gostariam de flexibilidade para realizar outras atividades.

 

As rotinas que se ajustam às necessidades do trabalhador se tornaram elementos valorosos nos formatos de trabalho híbrido e remoto. O profissional tende a ficar mais realizado, o que resulta no aumento da sua produtividade e, consequentemente, em resultados positivos para a empresa.

Fonte: OlharDigítal | 15/06/2022